
PESQUISA QUALITATIVA (FOCUS GROUP)
PROGRAMA: “ORLANDO VILLAS-BÔAS, UM SERTANISTA BRASILEIRO ”
EMISSORA: CASA VERDE
DATA: 20.05.2025 (20h)
QTDE. PARTICIPANTES: 7
PERFIL DEMOGRÁFICO DO GRUPO
- A REUNIÃO FOI REALIZADA VIRTUALMENTE NA NOITE DE 20.05.2025 (20H)
- O GRUPO ESTAVA COMPOSTO POR 7 PESSOAS, SENDO:
- 5 MULHERES
- 1 HOMENS
- 1 NÃO-BINÁRIO
- AS IDADES ESTAVAM ENTRE 20 E 51 ANOS
EPISÓDIOS OUVIDOS E DEVICE UTILIZADO
- TODOS OS PARTICIPANTES DO GRUPO OUVIRAM A TOTALIDADE DOS EPISÓDIOS (12).
AVALIAÇÃO – DO QUE GOSTOU
- OS PARTICIPANTES GOSTARAM DO PROGRAMA. OS ASPECTOS DESTACADOS FORAM:
- FICAR SABENDO DA HISTÓRIA DOS IRMÃOS VILLAS-BÔAS.
- O FATO DO PROGRAMA NÃO TER SE RESTRINGIDO AOS IRMÃOS VILLAS-BÔAS, I.E., TROUXE DEPOIMENTOS DE OUTRAS PESSOAS.
- TER TRAZIDO DEPOIMENTOS DE INDÍGENAS.
- TRILHA SONORA / ABERTURA.
- PROGRAMA SER ACESSÍVEL – “EXPLICARAM MUITO BEM, EU NÃO FIQUEI PERDIDO EM NENHUM MOMENTO”.
- MOSTRAR COMO OS INDÍGENAS CULTIVAM ALIMENTOS.
- NÃO PRECISAR OUVIR DE FORMA CRONOLÓGIA, I.E, NÃO É PRECISO OUVIR OS EPISÓDIOS NA ORDEM.
VERBATIM
- Gostei de saber a história dos irmãos Villas-Bôas, eu não conhecia. Gostei de saber que eles foram para uma missão a favor do governo e eu gostei do fato de eles não terem obedecido essa missão e fazerem outras coisas, de verem aqueles povos aldeados com mais dignidade.
- Eu acho que o fato que eles não se ativeram apenas à história dos irmãos Villas-Bôas, mas também trouxeram muitas falas de pessoas que são corpos indígenas para a construção dos episódios. É muito importante dar voz para as pessoas falarem das suas próprias trajetórias.
- Gostei da história também que eu não conhecia, conheci um pouco mais, teve bastante detalhes. Achei importante também trazer pessoas indígenas para falarem e eu gostei também da trilha sonora da abertura.
- O que eu mais gostei foi das curiosidades, acho que essa questão de dar voz para os indígenas foi muito interessante até porque os indígenas deverão estar falando por eles. E também da trilha sonora, achei muito interessante as músicas.
- Eu não conhecia a história dos irmãos Villas-Bôas. Achei legal porque foi de fácil entendimento o conteúdo. Eu que não sabia nada fiquei com várias informações, curiosidades. Um programa muito acessível: explicaram muito bem, eu não fiquei perdido em nenhum momento.
- Eu sou bem curiosa, então eu gostei de uma parte sobre o cultivo. Eu fiz agronegócio. Eu não lembro direito da forma como é, mas os nomes, era uma coisa que eu realmente não sabia.
- Achei bem didática a construção, a estrutura do podcast. O arco da história toda, você não precisa escutar em ordem cronológica, pode ouvir aleatoriamente que não perde o entendimento e o fato de ter usado gravações da época conferiu um ar de documentário mesmo como os podcasts que são badalados atualmente.
AVALIAÇÃO – DO QUE NÃO GOSTOU
- OS PARTICIPANTES DO GRUPO FIZERAM ALGUMAS CRÍTICAS / OBSERVAÇÕES SOBRE O PROGRAMA.
- EPISÓDIOS PODERIAM SER MAIS LONGOS PARA APROFUNDAR O TEMA – TER 25 MINUTOS.
- DEVERIAM TRAZER MÚSICAS INDÍGENAS.
VERBATIM
- Acredito que deveriam ter (os episódios) uns 25 minutos mais ou menos.
- Acho que poderiam trazer músicas dos indígenas com indígenas mesmo cantando.
FORMATO DO PROGRAMA
- OS PARTICIOANTES DO GRUPO FIZERAM DIVERSAS OBSERVAÇÕES SOBRE O FORMATO DO PROGRAMA.
- UM PARTICIPANTE ACHOU QUE DEVERIA SER MAIS LONGO OU SER UM PROGRAMA CONTÍNUO COM UMA HORA E MEIA.
- A DURAÇÃO FOI CONSIDERADA ADEQUADA PELOS DEMAIS, EMBORA UM DELES TENHA COMENTADO QUE O “TEMPO ATIVO” DO EPISÓDIO SEJA CURTO (EM FUNÇÃO DA ABERTURA, JINGLES ETC.)
- FALA SER “ENSAIADA” FOI APONTADO COMO ASPECTO NEGATIVO.
- FOI SUGERIDO QUE HOUVESSE VERSÃO EM VIDEO MOSTRANDO O ESTÚDIO ETC.
VERBATIM
- Em relação aos minutos eu também achei adequado porque eu consegui entender bastante, então para mim o formato está bom.
- Eu acho o tempo dos episódios legal, adequado. Se fosse muito longo eu não iria conseguir acompanhar.
- A duração dos episódios eu acho adequada. Acho que uma característica do podcast é que tem que ser curto, como drops.
- Vou partir da perspectiva dos colegas de que ter 10 minutos é o ideal.
O QUE MAIS IMPRESSIONOU
- ALGUNS ASPECTOS APRESENTADOS NO PROGRAMA IMPRESSIONARAM OS PARTICIPANTES DO
GRUPO. - A RESISTÊNCIA DO POVO INDÍGENA.
- INFORMAÇÕES SOBRE O MARCO TEMPORAL.
- A DIMINUIÇÃO DOS POVOS ORIGINÁRIOS.
- FORMA COMO OS INDÍGENAS PRESERVAM AMBIENTE, TRADIÇÃO ETC.
- COMUNHÃO QUE OS POVOS ORIGINÁRIOS TÊM COM A TERRA.
- O FATO DA EXPEDIÇÃO COM OS VILLAS-BÔAS TER UM CARÁTER COLONIAL E ACABAR POR CRIAR O PARQUE DO XINGU.
- AS PALAVRAS QUE TÊM DE ORIGEM INDÍGENA.
VERBATIM
- Perceber a resistência desse povo, sabe? Desde que o Brasil foi invadido pelos portugueses e tudo mais a gente acaba percebendo como eles são os povos que estão na mira ali, muito ameaçados. Tem até um episódio que comenta que eles achavam que a população indígena iria deixar de existir. Acho muito legal ver como esse povo resiste até atualmente com essa questão do marco temporal. São muitas lutas e é um povo que não para de lutar.
- Apesar de eu ser uma pessoa que consome conteúdos sobre povos originários, são assuntos que me interessam, eu não estou tão por dentro de todas as coisas e eu acho que algumas informações que a rádio trouxe sobre o marco temporal foram bem importantes para entender em que lugar a gente está hoje com essa questão da demarcação de território dos povos indígenas e acho que um pouco do nosso papel como população para se articular junto com esses povos e garantir o direito de terra deles. Isso vai impactar não só para eles, mas na nossa jornada também, da gente que está dentro das grandes cidades.
- É uma coisa que você já sabe, mas impressiona quando você para para pensar: o quanto dos povos originários tem na nossa sociedade hoje em dia.
- O fato dessa proteção que eles têm com o lugar onde vivem, a biodiversidade que eles falam bastante e aquela parte da água que eles focam bastante. Tem um impacto enorme se for parar para pensar.
- Ver como eles preservam a natureza de onde eles moram, as tradições também, como eles cultuam, a ancestralidade.
- Impressionou não no sentido positivo: o esforço dos irmãos Villas-Bôas em partir para lá, fazer expedição, com todo esse esforço deles mesmo com essa perspectiva colonial por traz e o resultado foi a criação do parque do alto Xingu. Como isso, se não houver um esforço coletivo constante, se não ficar atento, vigilante, isso some. Não pode descansar em nenhum momento. Preocupação perene em manter os direitos adquiridos senão da noite para o dia, numa sessão secreta de madrugada o congresso acaba com tudo e volta ao extermínio que tentaram conter com essas políticas. Isso para mim ficou bem claro nas gravações, nos episódios.
- Positivamente o que me impressionou foi a curiosidade de algumas palavras que têm influência indígena e que a gente usa hoje em dia.
- De forma positiva o que mais me impressionou é ver o respeito e a comunhão que os povos originários têm com a terra, com a proteção das fontes, das águas e o quanto a gente está distante disso. A relação deles não é exploratória dos recursos.
- A gente mora num planeta com recursos limitados, a gente está vivendo esse momento de aquecimento global. Eu penso que isso é algo muito urgente: ter esse olhar para a natureza.
O QUE “DESCOBRIU” OUVINDO AO PROGRAMA
- ALGUMAS DESCOBERTAS FORAM FEITAS.
- A PRÓPRIA HISTÓRIA DOS IRMÃOS VILLAS-BÔAS.
- QUE O XINGU É UM TERRITÓRIO DEMARCADO DE PROTEÇÃO.
- ASPECTOS DA CULINÁRIA.
- NOMES DE ORIGEM INDÍGENA. EX.: ITAQUERA.
- OS IRMÃOS VILLAS-BÔAS TEREM FICADO MAIS DE 30 ANOS COM OS INDÍGENAS.
VERBATIM
- A história dos irmãos Villas-Bôas eu já tinha ouvido falar, mas muito por cima.
- Eu não sabia sobre o parque em si, não sabia que era um território demarcado de proteção da população originária.
- Em relação à história dos irmãos Villas-Bôas eu não sabia.
- Muita coisa eu não sabia, até em relação aos nomes: Itaquera. Em relação à culinária.
- Eu não conhecia nada sobre os irmãos Villas-Bôas. Achei interessante saber das expedições.
- Eu já tinha ouvido falar sobre os irmãos Villas-Bôas, mas não sabia detalhadamente sobre a vida e a luta do povo Xingu. Acho que esse programa além de trazer informações também faz a abertura para as pessoas procurarem mais coisas. Se aprofundar mais no assunto. Foi isso que eu fiz depois que escutei o programa na rádio.
- Eu não lembro em qual episódio que foi que falam da permanência dos irmãos Villas-Bôas lá. Foram muitos anos. Mais de 30 anos ao todo. Atravessou gerações para conseguir o que conseguiu. O. quanto essa presença branca impactou e o que teria sido sem essa presença branca lá.
- Não sabia da história do parque do Xingu e também não sabia dos irmãos Villas-Bôas. Me despertou curiosidade e eu fui procurar mais coisas a respeito.
PROGRAMAS SEMELHANTES
- ALGUNS POUCOS PROGRAMAS FORAM MENCIONADOS COMO SENDO SEMELHANTES.
- OS PODCASTS:- HISTÓRIA PRETA
– PAVULAGEM
- ENTREVISTAS ANTIGAS DE CLARICE LISPECTOR NA TV CULTURA.
VERBATIM
- Eu ouço alguns podcasts, mas eu não sei se eles são muito trabalhados, muito refinados para se encaixarem no formato dessas plataformas.
- Programa assim com caráter comunitário foi a primeira vez.
- Não. Primeira vez.
- Também não.
- Não.
- Não no formato de rádio comunitária. Mais num formato de podcast. Tem um podcast que eu escuto que se chama História Preta que é uma coisa mais documental e se assemelha muito a esse formato.
- Tem um outro que eu escuto que se chama pavulagem sobre os povos indígenas que fala mais sobre folclore.
- Então, eu assistia muito na Tv Cultura entrevistas antigas de Clarice Lispector que tem esse formato de voz gravada, na questão do som mesmo.
SUGESTÕES DE TEMAS (NOVOS PROGRAMAS)
- FORAM SUGERIDOS TEMAS PARA NOVOS PROGRAMASDA EMISSORA.
- OUTRAS ETNIAS INDÍGENAS ALÉM DO XINGU.
- AQUECIMENTO GLOBAL.
- MÚSICA: O FUNK.
- HISTÓRIA DO POVO PRETO – RECORTE POR REGIÕES.
- POSTURA DOS POVOS INDÍGENAS QUANTO À SUSTENTABILIDADE.
- POVOS INDÍGENAS MAIS PRÓXIMOS: SERRA DA CANTAREIRA (ZONA NORTE SE SÃO PAULO) E PICO DO JARAGUÁ.
- ARTISTAS DA REGIÃO / LOCAIS.
- CULTURA AFRICANA: RELIGIÕES, TRADIÇÕES, COSTUMES.
- CULTURA PERIFÉRICA EM GERAL: MÚSICA, ARTE, RITMO.
- O FEMINISMO DE UMA PERSPECTIVA RACIAL – A MULHER PRETA, MÃE SOLO ETC.
VERBATIM
- A questão dos originários é uma pauta muito importante. O Xingu é uma das etnias. Há outras que podem ser abordadas.
- Aquecimento Global.
- Questões de música, p.ex., o funk.
- A história do povo preto. Recorte de povos pretos em determinadas regiões.
- O que fazemos de prejudicial hoje e que os indígenas têm outra postura com relação a sustentabilidade.
- Falar sobre temáticas que interessam ao público mais jovem da região. Sobre o funk.
- Falar de artistas da região, artistas locais.
- Entender a realidade do entorno por ser uma rádio comunitária.
- Falar sobre culturas africanas, religiões, tradições, costumes.
- Cultura periférica em geral: música, arte, ritmo.
- Abordar algo sobre o feminismo, mas de uma perspectiva racial, a mulher preta, mãe solo.
“CONSELHO(S)” QUE DARIA PARA A EMISSORA (GERAL)
- AS RECOMENDAÇÕES DADAS À EMISSORA FORAM:
- INTERAÇÃO COM O PÚBLICO – PELA INTERNET, EM TEMPO REAL NOS PROGRAMAS.
- TER MENOS CONTEÚDOS GRAVADOS.
- OBSERVAR A DINÂMICA DO PERIFÉRICO / ENTENDER O QUE AS PESSOAS GOSTAM.
VERBATIM
- Focar na interação com o público. Pode ser pela internet, ter a participação do público em tempo real nos programas.
- Entender aonde vai chegar o conteúdo que estão fazendo. Observar a dinâmica do periférico, entender o que ele consome, o que busca, o que faz. Por isso na rádio, entender o que as pessoas gostam.
